quinta-feira, 30 de maio de 2013

o amor que vem vindo



espero que venha um ano bom
com panos novos e novos sons
e que venha com um caso de amor
bem bobo, bem leve
pode até ser breve
pode ter bigode?
ah, pode...
mas que seja limpinho e depravado
que do resto eu cuido
deixa que eu cuido
e ele não sai mais do meu lado
o que ele me traz?
intensidade e nada mais
confiança a gente cria
o corpo, cultiva
porque feliz, só ele me faz
será que ele é capaz?


por caeu e zuzu




Hunky Pepita



Hunky Pepita era vedete
De qualidades extra femininas
Tinha maxilar e curvas firmes
E a juba de uma leoa
A mais linda sob luz vermelha
Do cabaré, o batom mais brilhante
O cabelo mais louro e roupas cintilantes
Coletes de oncinha; ouro nas orelhas
Olhos perversos de camaleoa
A preferida dos velhos tristes
A mais invejada entre as putas meninas
Que almejavam vendeta.

Um dia sofreu um golpe
Como ocorre com todos os grandes
Sua cara ao chão, junto às calças
A máscara rolou por seu rosto
Falsa como o rubi em seu peito
Algo a mais balançava entre as pernas
As putas rebelaram
Os velhos em protesto
A enxotaram sem pena do recinto
Com a paz de um Gandhi
Foi parar nos becos, no lixo
Sem calor e sem abrigo


Como companheiro, um gato preto
Que rondava nas marquises
O único a sentir sua falta
Foi Augusto, o garçom
Que todos os dias lhe mandava
Um cigarro e um batom
Em resposta, Pepita se esfregava
E impregnava seu cheiro no gato
Este ia faceiro ao cabaré
Para que Augusto lhe sentisse perto
A besta do gato, porém
Tropeçava e se lambuzava no lixo
Mas mesmo nojento de chorume
O garçom lhe fungava com gosto

Uma história de amor escatológica, que nem aos perturbados agradaria vivê-la, mas ainda assim, uma história de amor...


por Caeu

Cruzas

"A vida social é uma obra de ficção..."

De pouco vale ser um rei decapitado
De pouco vale ter um grande reino vencido
Vale muito a pena sonhar bem alto
Não vale morrer sem ter acontecido

Da minha memória
Três quartos são sonhos iluminados
Em noites nubladas
E que se vão na alvorada

E canto à plena voz
Não há escudo ou disfarce
Que esconda que em cada parte
Há um pouco de todos nós

Ou será que a humanidade
Da nascente até a foz
Escondeu sob os lençóis
Qualquer resquício da verdade?


por caeu