quinta-feira, 30 de maio de 2013

Hunky Pepita



Hunky Pepita era vedete
De qualidades extra femininas
Tinha maxilar e curvas firmes
E a juba de uma leoa
A mais linda sob luz vermelha
Do cabaré, o batom mais brilhante
O cabelo mais louro e roupas cintilantes
Coletes de oncinha; ouro nas orelhas
Olhos perversos de camaleoa
A preferida dos velhos tristes
A mais invejada entre as putas meninas
Que almejavam vendeta.

Um dia sofreu um golpe
Como ocorre com todos os grandes
Sua cara ao chão, junto às calças
A máscara rolou por seu rosto
Falsa como o rubi em seu peito
Algo a mais balançava entre as pernas
As putas rebelaram
Os velhos em protesto
A enxotaram sem pena do recinto
Com a paz de um Gandhi
Foi parar nos becos, no lixo
Sem calor e sem abrigo


Como companheiro, um gato preto
Que rondava nas marquises
O único a sentir sua falta
Foi Augusto, o garçom
Que todos os dias lhe mandava
Um cigarro e um batom
Em resposta, Pepita se esfregava
E impregnava seu cheiro no gato
Este ia faceiro ao cabaré
Para que Augusto lhe sentisse perto
A besta do gato, porém
Tropeçava e se lambuzava no lixo
Mas mesmo nojento de chorume
O garçom lhe fungava com gosto

Uma história de amor escatológica, que nem aos perturbados agradaria vivê-la, mas ainda assim, uma história de amor...


por Caeu

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