Temperatura ardente,
característica da estação. Não suam as árvores de troncos finos, mas sofrem com
o tempo de seca. Olhando para a paisagem, onde o solo se mostra a passarela de
corpos magricelos, há algo... ali... O sol conversa com as folhas secas, “O que
é isto?”. Em meio ao estio, há uma flor intocada pela estação.
Bate o vento com força berrante,
fazendo dançar alguns galhos fracos. No chão, a marcha das folhas abandonadas,
o tumulto das cores avermelhadas. Como uma troca de vida, uma despedida aos
seres movidos pelo vento. E, naquela mudança, encaram todos, sussurrando entre
si, “Porque parece tão viva?”. No vai-e-vem da transição, uma flor intocada pela estação.
Temperatura decrescente, tola
neve cai na gente. Cobre o cenário com um manto branco; que tentação, não é,
Monet? Um enorme quadro em branco. Enquanto o austral se estende no final de
junho, algumas árvores e plantas que não dormem cobertas pela neve reparam
naquele ponto, no canto, um borrão do artista. “O que ela ainda faz aqui?”.
Pinta o quadro uma flor intocada pela estação.
E agora vivem as cores! Um mar de
novidade, a diversidade das luzes refletidas! Uma em tantas outras porém se
deprime, deslocada, por ver que não é única, nem a mais bela. Se não é aqui seu
sonho, é em outro lugar, desfazendo pesadelos alheios. Para aquela flor, tocada
pela estação, seu pesadelo é primavera.
ZUZU PAILLAC
ZUZU PAILLAC
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