segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Flor


Temperatura ardente, característica da estação. Não suam as árvores de troncos finos, mas sofrem com o tempo de seca. Olhando para a paisagem, onde o solo se mostra a passarela de corpos magricelos, há algo... ali... O sol conversa com as folhas secas, “O que é isto?”. Em meio ao estio, há uma flor intocada pela estação.
Bate o vento com força berrante, fazendo dançar alguns galhos fracos. No chão, a marcha das folhas abandonadas, o tumulto das cores avermelhadas. Como uma troca de vida, uma despedida aos seres movidos pelo vento. E, naquela mudança, encaram todos, sussurrando entre si, “Porque parece tão viva?”. No vai-e-vem da transição,  uma flor intocada pela estação.
Temperatura decrescente, tola neve cai na gente. Cobre o cenário com um manto branco; que tentação, não é, Monet? Um enorme quadro em branco. Enquanto o austral se estende no final de junho, algumas árvores e plantas que não dormem cobertas pela neve reparam naquele ponto, no canto, um borrão do artista. “O que ela ainda faz aqui?”. Pinta o quadro uma flor intocada pela estação.
E agora vivem as cores! Um mar de novidade, a diversidade das luzes refletidas! Uma em tantas outras porém se deprime, deslocada, por ver que não é única, nem a mais bela. Se não é aqui seu sonho, é em outro lugar, desfazendo pesadelos alheios. Para aquela flor, tocada pela estação, seu pesadelo é primavera.


ZUZU PAILLAC

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