sábado, 26 de janeiro de 2013

Pop Art



Aconteceu num bar no 26º andar de um arranha-céu:

- Eu não precisava ter vindo.
- Mas veio.
- Eu não tive escolha, tive?
- Teve.
- Não seja um cretino agora. Vim aqui para ajudar um irmão.
- Agora eu sou seu irmão? Não sabia que incesto era um fetiche seu.

(Ela o dá uma bofetada)

- Seus brincos tremeram quando você me bateu.
- Não toca em mim.
- Você está tremendo...
- Eu vou embora.
- Você sabe que eu não blefei... Eu só queria me despedir de você.
- Eu não devia ter vindo!

Meio hesitante ela foi embora. Nada hesitante, ele engoliu o gelo do uísque, vislumbrou a vista dos arranha-céus, viu os carros pequeninos lá embaixo e se tacou (não para morrer, ainda que o pulo o matasse). A banda, como no Titanic, tocou um jazz triste.

Obs. I: O relato dela:

''Você deve pensar que podia ter acontecido com qualquer um. Pessoas se tacam de prédios o tempo todo, oras. Eu mesma saio correndo de bares e restaurantes o tempo todo. Acontece, o amor acaba e os cafajestes cedo ou tarde caem em si. Mas não esse, meus caros, eu falo sério. Esse não tinha salvação, era um italiano do tipo mafioso. Meu drama, minha compaixão, meu desespero foram ensaiados. Até o luto foi fingido. Eu queria que ele pulasse, eu o queria morto. Só não sei o por quê.''






Por Nemo Jonez




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